Por Gabriel Pinheiro

Elisa Larkin Nascimento e Gustavo Grandinetti conversaram sobre o legado do artista que inspira as artes que ilustram o 2.º Flipetrópolis

A última mesa deste primeiro dia de 2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis – recebeu Elisa Larkin Nascimento e Gustavo Grandinetti, curador do Festival, para uma conversa com o tema “Arte, liberdade e vozes negras: O legado de Abdias do Nascimento”. Um dos grandes nomes da arte, do pensamento e da luta antirracista brasileira, Abdias do Nascimento é homenageado no Flipetrópolis 2025 ao ter sua obra associada à arte e à resistência afro-brasileira como inspiração para o projeto gráfico do evento.

Gustavo Grandinetti abriu a mesa fazendo um breve panorama do legado de Abdias do Nascimento, destacando a sua importância para a valorização da cultura negra no Brasil. Em seguida, ele passou a palavra para Elisa Larkin Nascimento, viúva de Abdias e responsável pelo legado do artista. “A gente está aqui pra falar de arte, liberdade e vozes negras. Acho que a arte e a liberdade sempre foram muito unidas na voz negra de Abdias”, destacou Elisa.“Em 1968, aos 54 anos, ele começa a meter a mãe na massa das artes para fazer a sua pintura, atraves da convivencia com um artista negro, o Sebastião Januário”, ela comentou sobre o trabalho artístico do homenageado.“O Abdias vinha trabalhando para criar um projeto chamado Museu de Arte Negra.”

Elisa, na sequência, revelou passagens e processos do trabalho artístico de Nascimento. “No exílio, ele desenvolveu muito a pintura dele. Ele expôs muito nos Estados Unidos”, ela comentou sobre o período em que o artista foi obrigado a se exilar do Brasil, em decorrência da ditadura militar. Elisa também comentou como o trabalho de Abdias do Nascimento foi ignorado, durante muito tempo, pelo mercado das artes, até tempos muito recentes, destacando ações que foram realizadas com museus e instituições no sentido de resgatar seu trabalho nas artes plásticas.

Respondendo a uma pergunta do curador, Elisa declarou: “O aspecto mais importante da arte do Abdias do Nascimento é esse todo. Tudo o que ele fazia tinha um foco, um objetivo, uma causa. Que era elevar essa questão racial à sua própria dimensão, em consideração à intelectualidade e à cultura do país”. A convidada destacou como Nascimento, historicamente, não foi visto como um “intérprete do Brasil”, diferentemente de intelectuais brancos que, assim como ele, também viam na questão racial algo fundamental para se pensar o País.

Grandinetti pediu para que Elisa comentasse sobre as prisões sofridas por Abdias do Nascimento. Ela destacou a obra “Submundo: Cadernos de um penitenciário”, em que Abdias escreve sobre seu período enquanto detento do Carandiru. A convidada também comentou sobre como Abdias e muitos outros foram perseguidos pela ditadura militar por conta da luta antirracista.

O curador trouxe para a conversa o livro “Adinkra: sabedoria em símbolos africanos”, escrito por Elisa Larkin Nascimento. A obra reúne os principais ideogramas e significados do Adinkra, forma de escrita africana que abriga o universo filosófico e estético da civilização Asante, cujo povo habita o território que hoje chamamos de Gana. “É muito importante a tradição oral. Mas reduzir a África apenas à oralidade é um equívoco. (…) Adinkra significa ‘Adeus à alma’. Então, esses símbolos são estampados em tecidos, usados como roupa, em eventos fúnebres. Também são usados como símbolos de soberania”, Elisa comentou sobre a obra.

Sobre o 2.º Flipetrópolis


A 2ª edição do Flipetrópolis acontece de 27 a 30 de novembro, quinta-feira a domingo, no Palácio de Cristal, e tem como tema “Literatura, Encruzilhada e Arte”. O evento apresenta mesas de bate-papo com escritores, lançamentos de livros, prêmio de redação e desenho, oficinas e atividades educativas para as crianças. O Autor Homenageado é o Antônio Torres, romancista consagrado e membro da Academia Petropolitana de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Outro destaque desta edição é a entrega oficial do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano à vencedora de 2025, a escritora Sueli Carneiro.

Realizado graças à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, o 2.º Flipetrópolis tem o Patrocínio Máster da GE Aerospace e o apoio da Zeiss, da Caixa, da Academia Petropolitana de Letras, do Ipeafro e da Prefeitura de Petrópolis. Parceria de Mídia: Amado Mundo. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, com Libras, audiodescrição e transmissão on-line via Youtube @flipetropolis.

Serviço


2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis
De 27 a 30 de novembro de 2025, quinta-feira a domingo
Local: programação presencial no Palácio de Cristal e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @‌flipetropolis
Entrada gratuita

Informações para a imprensa:

imprensa@flipetropolis.com.br
Jozane Faleiro  – 31 992046367
Laura Rossetti – 31 99277-3238
Letícia Finamore – 31 98252-2002