
Por Gabriel Pinheiro
Festival literário ocupou o Palácio de Cristal com uma programação gratuita e acessível entre 27 e 30 de novembro
Cercada pelos morros e montanhas da Serra Fluminense, Petrópolis voltou a ser ponto de encontro para a literatura, a arte e a democracia com a realização do 2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis. O evento retornou à cidade, que reforçou sua vocação histórica como espaço onde passado e presente dialogam, sem perder de vista o futuro.
Realizado graças à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, o 2.º Flipetrópolis tem o Patrocínio Máster da GE Aerospace e o apoio da Zeiss, da Caixa, da Academia Petropolitana de Letras, do Ipeafro e da Prefeitura de Petrópolis. Parceria de Mídia: Amado Mundo. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, com Libras, audiodescrição e estão disponíveis no Youtube @flipetropolis.
Foram quatro dias – 27 a 30 de novembro – de programação intensa no Palácio de Cristal, um dos principais símbolos da cidade, que recebeu autoras, autores, leitoras e leitores em encontros que seguiram ecoando pelas ruas históricas. Neste segundo encontro, o festival se firma como parte relevante do calendário cultural petropolitano.
O Palácio de Cristal abrigou debates, lançamentos, oficinas, exposição de arte, programação infantil e ações educativas. Tudo com entrada gratuita e atenção à acessibilidade, reforçando o compromisso do festival com a participação ampla do público.
Um tema que uniu ação e pensamento
Sob o tema “Literatura, Encruzilhada e Arte”, o 2.º Flipetrópolis ergueu uma tríade que uniu ação e pensamento como forma de transformar o nosso tempo. A Encruzilhada não como um impasse, mas sim como o ponto onde caminhos convergem e se potencializam, em um convite irrecusável ao diálogo. A Literatura como um fio que costurou diferenças e aproximou mundos, compondo um mosaico que prezou pelo respeito às diferenças e à multiplicidade de vozes. Por fim, a Arte selou este encontro, celebrando os legados de Abdias do Nascimento e Candido Portinari.
De um lado, Abdias do Nascimento se fez presente no projeto gráfico do Festival, marcando a identidade visual com suas cores e formas, com uma obra que evoca a ancestralidade africana e o poder da arte como instrumento de liberdade e resistência. De outro, nos jardins do Palácio de Cristal, a mostra “Portinari para Crianças” apresentou 42 reproduções de obras do pintor Candido Portinari, retratando meninos e meninas brincando, revelando as diversas infâncias do Brasil, com seus atravessamentos sociais e culturais.
O trabalho curatorial de Afonso Borges, presidente do Flipetrópolis, ao lado de Gustavo Grandinetti, Marcelo J. Fernandes, Rafael Nolli e Sérgio Abranches, buscou mergulhar o festival na diversidade da literatura nacional, regional e local, para o público adulto e infantojuvenil, transformando-se em um espaço de encontro entre autores, leitores e diferentes modos de narrar o o nosso tempo.
Livraria como um coração pulsante
Reunindo mais de 20 mil títulos, incluindo as obras das autoras e dos autores convidados desta edição, a livraria do Flipetrópolis ocupou a parte interna do charmoso Palácio de Cristal, sendo um ponto central para o público, que se viu maravilhado pela diversidade de títulos e pela transparência luminosa do edifico histórico. Ao fim de cada mesa da programação, escritores e leitores também se encontraram ali para sessões de autógrafos.
Um salve à Intelectual do Ano
A entrega do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano à Sueli Carneiro foi um momento histórico. A cerimônia no Palácio de Cristal reuniu nomes como Míriam Leitão – responsável pela entrega da homenagem –, Conceição Evaristo, Flávia Oliveira, Eliana Alves Cruz, Livia Sant’Anna Vaz, Jamil Chade e Ricardo Ramos Filho. Sueli foi celebrada como a intelectual que “enegreceu o feminismo brasileiro” e uma força incansável de luta, comparada ao orixá Ogum.
O Juca Pato de Intelectual do Ano, que nas últimas edições tem contemplado majoritariamente mulheres, e em especial mulheres negras, reconhece o avanço na valorização da intelectualidade negra como pilar para uma sociedade mais justa e democrática.
Em seu discurso, Sueli Carneiro recebeu a homenagem em seu próprio nome e também em nome da sua ancestralidade. “Nossos passos vêm de longe e também a indignação que nos impulsiona a escrever”, afirmou. Reforçou que seus escritos são fruto de uma luta permanente pelo direito fundamental à vida e chamou o público ao compromisso com um Brasil plural, antirracista e capaz de se “reencantar com o mundo”.
Uma justa homenagem ao Intérprete do Brasil
O Flipetrópolis homenageou Antônio Torres, romancista baiano e imortal da Academia Brasileira de Letras, reconhecendo-o como um dos grandes intérpretes do Brasil. No bate-papo que fechou a programação nacional e internacional, o curador Sérgio Abranches destacou a precisão e a qualidade literária da obra de Torres, comparando seus textos a diamantes lapidados que transformam vivências do sertão em narrativas universais.
Antônio Torres relembrou sua ligação afetiva e literária com Petrópolis, cidade onde sua “alma se perdeu entre as montanhas”. Contou que cresceu no mundo agrário, sem livros, “mas que fabulava muito”, e que a descoberta da poesia foi o ponto que desviou seu destino da enxada para a literatura.
Uma Ministra defensora da literatura e da democracia
Sem a formalidade da toga, a Ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia subiu ao palco do 2.º Flipetrópolis de coração aberto, para um encontro especial com o público petropolitano, onde a literatura e a democracia se uniram como gestos fundamentais para a liberdade humana.
Ao defender a imprensa livre e celebrar festivais literários como o Flipetrópolis, dizendo da importância de que esses encontros continuem acontecendo, por tornarem a nossa democracia forte, Cármen Lúcia reforçou que a humanidade floresce em espaços de liberdade. “Eu acredito na democracia e no ser humano como eu acredito que eu estou aqui. Com mais democracia a gente resolve a democracia. Com mais direito a gente resolve o direito”
Literatura, direitos humanos e o Patrono desta edição
A escolha de Alceu Amoroso Lima como Patrono desta edição trouxe para o festival o trabalho de um intelectual que uniu literatura, democracia e direitos humanos. A homenagem destacou não apenas sua trajetória, mas a compreensão de que a literatura é um direito humano e um elemento essencial na construção do Estado Democrático de Direito.
Sobre o 2.º Flipetrópolis
A 2ª edição do Flipetrópolis aconteceu de 27 a 30 de novembro, quinta-feira a domingo, no Palácio de Cristal, e teve como tema “Literatura, Encruzilhada e Arte”. O evento apresentou mesas de bate-papo com escritores, lançamentos de livros, prêmio de redação e desenho, oficinas, e atividades educativas para as crianças. O Autor Homenageado foi Antônio Torres, romancista consagrado e membro da Academia Petropolitana de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Outro destaque desta edição foi a entrega oficial do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano à vencedora de 2025, a escritora Sueli Carneiro.
Realizado graças à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, o 2.º Flipetrópolis tem o Patrocínio Máster da GE Aerospace e o apoio da Zeiss, da Caixa, da Academia Petropolitana de Letras, do Ipeafro e da Prefeitura de Petrópolis. Parceria de Mídia: Amado Mundo. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, com Libras, audiodescrição e transmissão on-line via Youtube @flipetropolis.
Serviço
2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis
De 27 a 30 de novembro de 2025, quinta-feira a domingo
Local: programação presencial no Palácio de Cristal e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @flipetropolis
Entrada gratuita
Informações para a imprensa:
imprensa@flipetropolis.com.br
Jozane Faleiro – 31 992046367
Laura Rossetti – 31 99277-3238
Letícia Finamore – 31 98252-2002