Por Gabriel Pinheiro

Ministra do STF Cármen Lúcia se reuniu à Ana Maria Machado, Andréa Pachá e Jamil Chade numa mesa histórica no 2.º Flipetrópolis

Uma mesa muito aguardada na programação do 2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetropolis – foi realizada na noite deste sábado, reunindo os escritores e jornalistas Ana Maria Machado e Jamil Chade, a mediadora Andréa Pachá e uma convidada muito especial, a Ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia. A conversa teve como tema “Literatura e Jornalismo: As fronteiras entre o real e o imaginário”.

Andréa Pachá abriu a mesa celebrando a presença de Carmen Lúcia tanto no Flipetrópolis quanto no Supremo Tribunal Federal. “Ela é certamente a pessoa que tem as melhores histórias para contar”, Pachá declarou sobre Cármen Lúcia, dizendo torcer por um novo livro da juíza.

A mediadora perguntou para Ana Maria Machado sobre a linha tênue entre o real e o imaginário na sua escrita para infâncias. “Ao escrever para crianças, nunca pensei que estaria me dirigindo a um público abstrato. (…) Eu me vejo conversando com determinadas crianças quando eu escrevo.”

Pachá celebrou o olhar humanizante de Jamil Chade para as personagens presentes nas matérias escritas pelo jornalista. “Nessa tua experiência de lidar com o real e produzir esse material pra de alguma forma amenizar aquele cenário de horror. (…) Em algum momento já passou pela sua cabeça que aquilo que você via era ficção?”, ela perguntou ao convidado, sobre sua experiência em cobertura jornalística cenários dramáticos em todo o mundo.

“O jornalismo como uma espécie de antídoto à desinformação”, Chade declarou, falando sobre o combate ao uso da desinformação como ferramenta política. O jornalista, então, compartilhou com o público momentos em que a realidade observada por ele parecia ficção. Um deles foi acompanhar a apuração de votos da eleição presidencial norte-americana em um território trumpista.

“A ministra Cármen, nesses últimos tempos, tem participado de avanços significativos para a nossa democracia”, comentou, na sequência, Andréa, citando os julgamentos recentes do golpe e do racismo. “A ministra, além de ser um gigante na hora de decidir, tem uma formação literária”, ela destacou sobre os votos proferidos por Cármen Lúcia.

Cármen Lúcia abriu sua participação dizendo ser de uma terra, o norte de Minas, onde não se pode desistir, refletindo sobre o seu trabalho em prol dos valores democráticos. A ministra do STF fez uma fala profundamente poética, falando da história do Brasil e citando autores como Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa. “Não tenho nenhuma vocação para a infelicidade”, ela destacou.

“É preciso que a gente, juntos, faça alguma coisa”, Lúcia declarou. A ministra defendeu a necessidade da imprensa livre. Cármen Lúcia celebrou sua mineiridade e contou uma história – ou, melhor, um causo – para o público, onde refletiu sobre a verdade e a não-verdade, relacionando com a declaração de Jamil sobre o uso da desinformação. “Sempre achei que a literatura poderia abrir todos os espaços possíveis e implausíveis, (…) A vida tem o imponderável, o implausível que acontece todos os dias. (…) O imponderável acontece toda hora. O jornalista lida com isso. A literatura não precisa lidar com isso.”

Lúcia falou sobre o direito à memória e o direito ao esquecimento. “Qual o limite ético? (…) A responsabilidade do jornalista é social”, ela refletiu sobre a ética no campo jornalístico. “É o direito à individualidade. Somos todos iguais na nossa dignidade humana. Mas somos todos diferentes em nossa individualidade humana”, ela prosseguiu. “Nós vivemos num mundo em que adquirimos direitos. (…) O que nós precisamos saber é como garantir o direito à dignidade de cada um e o direito à responsabilidade de todos nós.”

Cármen Lúcia celebrou festivais literários como o Flipetrópolis, dizendo da importância de que esses encontros continuem acontecendo, pois eles tornam a nossa democracia forte.

“Acredito na democracia e no ser humano como acredito que estou aqui. Com mais democracia a gente resolve a democracia. Com mais direito a gente resolve o direito”, defendeu Cármen Lúcia ao final da conversa. “A humanidade floresce em espaços de liberdade.” A ministra falou sobre os estragos dos ataques de 8 de janeiro aos STF e outros edifícios de Brasília: “Está inabalado o Supremo, está inabalado o direito, está inabalada a democracia no Brasil”.

Cármen Lúcia defendeu as diferenças de opiniões: “O que nós não podemos é permitir que o ódio nos separe. (…) Juntos somos mais”.

Sobre o 2.º Flipetrópolis

A 2.ª edição do Flipetrópolis acontece de 27 a 30 de novembro, quinta-feira a domingo, no Palácio de Cristal, e tem como tema “Literatura, Encruzilhada e Arte”. O evento apresenta mesas de bate-papo com escritores, lançamentos de livros, prêmio de redação e desenho, oficinas, e atividades educativas para as crianças. O Autor Homenageado é o Antônio Torres, romancista consagrado e membro da Academia Petropolitana de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Outro destaque desta edição é a entrega oficial do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano à vencedora de 2025, a escritora Sueli Carneiro.

Realizado graças à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, o 2.º Flipetrópolis tem o Patrocínio Máster da GE Aerospace e o apoio da Zeiss, da Caixa, da Academia Petropolitana de Letras, do Ipeafro e da Prefeitura de Petrópolis. Parceria de Mídia: Amado Mundo. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, com Libras, audiodescrição e transmissão on-line via Youtube @‌flipetropolis.

Serviço

2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis
De 27 a 30 de novembro de 2025, quinta-feira a domingo
Local: programação presencial no Palácio de Cristal e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @‌flipetropolis
Entrada gratuita

Informações para a imprensa:

imprensa@flipetropolis.com.br
Jozane Faleiro  – 31 992046367
Laura Rossetti – 31 99277-3238
Letícia Finamore – 31 98252-2002