
Por Gabriel Pinheiro
Mesa reuniu autores da cena local de Petrópolis, numa conversa inspiradora sobre processos de escrita e o alcance da ficção
Com o tema “Fazer ficção hoje”, a programação local desta sexta-feira, 28 de novembro, no 2.º Festival Literário Internacional de Literatura – Flipetrópolis –, reuniu cinco autores da cena literária petropolitana: Denilson C. Araújo, Sandra Britto, Julia Barandier, Luciana Chardelli e Lúcio Gil. “Sempre acho que existe um aí romancista em potencial apenas esperando uma palavra sequer para dar um start”, Lúcio, mediador da conversa, abriu a mesa, agradecendo o público pela presença. A conversa mergulhou nos processos de escrita e interesses literários dos convidados, numa conversa rica e inspiradora.
O mediador, então, iniciou a conversa refletindo sobre o conceito de ficção, remontando à tradição indígena, comunidades interioranas e suas lendas, e ligação entre ficção e imaginação. “A ficção veio evoluindo junto com a evolução humana”, ele disse. Lúcio destacou diferentes tradições literárias que foram desenvolvendo a linguagem da ficção ao longo da história humana. “Hoje temos uma cobrança maior com a ética, a inclusão social, a diversidade de gênero”, ele destacou. O autor também refletiu sobre como a ficção hoje compete com tecnologias, o ambiente digital e as redes sociais. “Hoje o leitor é muito imediatista. (…) Se a leitura não o prender, é capaz dele não ler o livro todo.”
Lúcio perguntou para Julia Barandier sobre o que o leitor contemporâneo quer ler. “Tenho visto um boom da autoficção. Essa tendência muito contemporânea e de autores jovens de escreverem narrativas autoficcionais”, ela declarou. A autora disse não ter uma visão pessimista sobre o leitor contemporâneo. “Acredito que o leitor contemporâneo tem uma boa gama de opções.”
Para Sandra Britto, o leitor de hoje busca uma interpretação da realidade, ainda que pela ficção. “A ficção para nós escritores é uma maneira muito importante para fazer com que as pessoas se reconheçam naquela leitura e promovam mudanças possíveis através dela.” Lucio complementou dizendo que a mudança das narrativas é parte do processo de evolução da ficção.
A escritora Luciana Chardelli refletiu sobre sua experiência na escrita de romances. “Quando escrevo, tento desconstruir a noção do real”, ela comentou. “Desvelar aquilo o que a gente não consegue enxergar de imediato. O romance me proporciona isso.” Denilson C. Araújo também refletiu sobre a velocidade dos tempos atuais, do ambiente digital e seu impacto no ritmo de leitura. “Tem leituras que demandam sacrifício, permanência, insistência”, ele destacou. “Nós sempre teremos leitores de livros físicos. O ato da leitura do livro de papel nos exige sentidos completos.”
Lúcio Gil comentou sobre seu processo de escrita. “É uma jornada maravilhosa primeiro para mim, depois para o leitor.” Ele comentou sentir saudade daquelas personagens que cria, após o término da escrita. “Os meus livros sempre surgem do meu olhar pro outro”, destacou Luciana Chardelli sobre o seu próprio processo. “O tempo que eu escrevo é o meu universo, ali é uma caixinha particular”, complementou.
Denilson C. Araújo comentou sobre o seu processo literário relembrando a pandemia, quando encontrou uma mala com escritos antigos. O reencontro com esses textos o levou para a escrita. “Histórias que eu precisava contar. As pessoas precisam saber essas coisas. Inclusive tenho contos muito duros. (…) Acho que a literatura é um elemento de transformação social e do indivíduo.”
Já Julia Barandier refletiu: “A literatura me interessa ao me colocar no lugar do outro”. Ela destacou como quer romper com a imagem de que jovens escritoras escrevem sobre si mesmas. Ela comentou sobre a multiplicidade de personagens com as quais já lidou em seus livros. “A escrita, pra mim, sempre andou junto com a pesquisa. Sinto que escrevo mais quando estou pesquisando outras coisas”, complementou. “A escrita para mim nunca foi algo solitário. Eu sempre participei de oficinas literárias”, ela comentou sobre a possibilidade de contato e trocas com outros autores.
“O momento da escrita é o momento de desacelerar e de aprofundar”, comentou Sandra Britto sobre o seu próprio processo. A escritora também destacou a importância da pesquisa no desenvolvimento da sua escrita. “Escrever, pra mim, também é um ato de resistência. E de reexistência.” “Todos nós somos escritores em potencial. E somos leitores em potencial”, Sandra comentou, celebrando a abertura do Flipetrópolis para a cena literária local.
Sobre o 2.º Flipetrópolis
A 2ª edição do Flipetrópolis acontece de 27 a 30 de novembro, quinta-feira a domingo, no Palácio de Cristal, e tem como tema “Literatura, Encruzilhada e Arte”. O evento apresenta mesas de bate-papo com escritores, lançamentos de livros, prêmio de redação e desenho, oficinas, e atividades educativas para as crianças. O Autor Homenageado é o Antônio Torres, romancista consagrado e membro da Academia Petropolitana de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Outro destaque desta edição é a entrega oficial do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano à vencedora de 2025, a escritora Sueli Carneiro.
Realizado graças à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, o 2.º Flipetrópolis tem o Patrocínio Máster da GE Aerospace e o apoio da Zeiss, da Caixa, da Academia Petropolitana de Letras, do Ipeafro e da Prefeitura de Petrópolis. Parceria de Mídia: Amado Mundo. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, com Libras, audiodescrição e transmissão on-line via Youtube @flipetropolis.
Serviço
2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis
De 27 a 30 de novembro de 2025, quinta-feira a domingo
Local: programação presencial no Palácio de Cristal e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @flipetropolis
Entrada gratuita
Informações para a imprensa:
imprensa@flipetropolis.com.br
Jozane Faleiro – 31 992046367
Laura Rossetti – 31 99277-3238
Letícia Finamore – 31 98252-2002