De 12 a 15 de novembro, o Palácio de Cristal, em Petrópolis, recebe escritores brasileiros e convidados de Portugal e Moçambique. Com entrada gratuita, o festival oferece ao público a oportunidade de conhecer os autores, suas obras e seus processos de criação.

O público terá a oportunidade de encontrar alguns dos mais importantes escritores e escritoras da literatura brasileira contemporânea no 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis, de 12 a 15 de novembro, no Palácio de Cristal. Com o tema “Meu Lugar no Mundo”, o festival reúne romancistas, poetas, cronistas, ensaístas, jornalistas e pesquisadores em conversas que aproximam o público de suas obras e de seus processos de criação. Participam da programação Adriana Cruz, Afonso Borges, Ale Santos, Ana Paula Araújo, Andréa Pachá, Antônio Torres, Aydano André Motta, Bárbara Cruz, Bruna Lombardi, Calila das Mercês, Christiane Michelin, Conceição Evaristo, Cristina Aragão, Drica Madeira, Eliana Alves Cruz, Énia Lipanga (Moçambique), Estevão Ribeiro, Fabrício Carpinejar, Flávia Oliveira, Geni Núñez, Geraldo Carneiro, Gerson Vale, Gustavo Grandinetti, Jamil Chade, José Roberto de Castro Neves, Linda Feitoza, Luiz Áquila, Madalena Sá Fernandes (Portugal), Marcelo Bortoloti, Marcelo Fernandes, Michel Alcoforado, Míriam Leitão, Nara Vidal, Paulo Vicente Cruz, Ricardo Ramos Filho, Roseni Kuranyi, Rosiska Darcy de Oliveira, Sérgio Abranches, Silvana Gontijo, Socorro Acioli, Sueli Carneiro e Zélia Duncan.

Confira a programação aqui: https://flipetropolis.com.br/programacao-2026/

Totalmente gratuito, o 3º Flipetrópolis tem o patrocínio Ouro da GE Aerospace e Águas do Imperador, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, patrocínio Prata da Zweiss, Itaú e Unifase e parceria da Prefeitura de Petrópolis e Academia Petropolitana de Letras. Todas as mesas de debate serão transmitidas ao vivo pelo YouTube @flipetropolis e contarão com audiodescrição e interpretação em Libras. As ações do Flipetrópolis estão alinhadas aos princípios ESG (ambientais, sociais e de governança) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Conceição Evaristo e Sueli Carneiro: um encontro especial

Um dos momentos centrais da programação será o encontro entre Conceição Evaristo e Sueli Carneiro, no sábado, 14 de novembro, às 20h. Autora homenageada desta edição, Conceição completa 80 anos em 2026 e é uma das vozes mais importantes da literatura brasileira. Sua obra, que inclui Ponciá Vicêncio, Becos da memória e Olhos d’água, conquistou leitores no Brasil e no exterior e consolidou o conceito de escrevivência.

Ao seu lado estará Sueli Carneiro, filósofa, escritora e uma das principais referências do pensamento negro brasileiro. A conversa, intitulada “Conceição e Sueli: Vivências e Escrevivências”, terá mediação de Calila das Mercês. Duas trajetórias intelectuais que marcaram a literatura e o debate público brasileiro estarão reunidas em uma mesma mesa.

Bruna Lombardi e Madalena Sá Fernandes: a literatura das relações familiares

Na sexta-feira, 13 de novembro, às 21h, Bruna Lombardi encontra a escritora portuguesa Madalena Sá Fernandes para uma conversa sobre a maneira como a literatura transforma experiências familiares em ficção.

Bruna apresenta Mulheres que sentem os espíritos (Record, 2026), romance que percorre diferentes gerações de mulheres. Madalena, autora de Leme (Todavia) e Sótão, tornou-se uma das vozes da literatura portuguesa contemporânea ao escrever sobre a infância, a violência familiar e as lembranças que permanecem na vida adulta.

O encontro, com mediação de Jamil Chade, aproxima duas escritoras de gerações e experiências diferentes, que encontram na literatura uma forma de investigar as relações humanas.

Socorro Acioli e Fabrício Carpinejar na abertura

A quinta-feira, 12 de novembro, reserva dois encontros com autores que conquistaram públicos expressivos.

Às 20h, Socorro Acioli, autora dos romances A cabeça do santo e Oração para desaparecer, apresenta Amar é inadiável (Planeta, 2026), coletânea de crônicas que aborda experiências cotidianas, encontros e relações afetivas. A escritora cearense conversa com Jamil Chade sobre sua trajetória e o trabalho de transformar experiências em literatura.

Às 21h, Fabrício Carpinejar encerra a primeira noite com “Poesia e Amor no Cotidiano”, em conversa mediada por Afonso Borges. Conhecido por seus livros de poesia e crônicas, Carpinejar construiu uma relação direta com leitores interessados em sua maneira de abordar a família, os relacionamentos e os acontecimentos comuns da vida.

Sérgio Abranches e Ale Santos: a literatura imagina o futuro

Ainda na quinta-feira, às 19h15, Sérgio Abranches e Ale Santos participam de “O futuro já começou: tecnologia, imaginação e humanidade”, com mediação de Afonso Borges.

Escritor e cientista político, Sérgio Abranches é autor de A franja do fim do mundo (Alta Books), romance que imagina um futuro marcado por transformações tecnológicas, crises ambientais e conflitos humanos. Ale Santos, escritor de ficção especulativa, utiliza elementos da fantasia e da ficção científica para investigar experiências históricas, desigualdades e possibilidades de transformação social.

O encontro coloca em diálogo duas maneiras de construir narrativas sobre o futuro. Inteligência artificial, mudanças climáticas e novas tecnologias entram na conversa a partir da capacidade da literatura de imaginar sociedades ainda inexistentes.

Míriam Leitão e Sérgio Abranches apresentam seus romances

Na sexta-feira, às 20h, Míriam Leitão e Sérgio Abranches estarão juntos para falar de literatura, em uma conversa mediada por Afonso Borges.

Em A dança de Elisa (Intrínseca, 2026), Míriam Leitão constrói uma narrativa distópica sobre mulheres que enfrentam a perda de direitos. Sérgio Abranches, em A franja do fim do mundo (Alta Books), imagina uma sociedade atravessada por transformações tecnológicas e ambientais.

Companheiros de vida, os dois escritores seguem caminhos próprios na ficção. O encontro, intitulado “A Literatura e o Mundo entre Nós”, permitirá ao público conhecer as escolhas narrativas, as influências literárias e o processo de criação de cada um.

Antônio Torres, Geraldo Carneiro e Rosiska Darcy de Oliveira

A literatura brasileira também estará representada por Antônio Torres, Geraldo Carneiro e Rosiska Darcy de Oliveira, reunidos na sexta-feira, às 19h, em uma conversa sobre a Revista Brasileira, publicação da Academia Brasileira de Letras.

Antônio Torres, autor de romances como Essa terra, é um dos nomes importantes da ficção brasileira. Geraldo Carneiro tem uma trajetória que atravessa a poesia e a dramaturgia. Rosiska Darcy de Oliveira é escritora e ensaísta, com uma obra dedicada às transformações da sociedade e à condição feminina.

Com mediação de Cristina Aragão, os três conversam sobre o lugar da literatura na interpretação do mundo contemporâneo.

Nara Vidal e Eliana Alves Cruz: duas romancistas em destaque

A programação de sexta-feira começa às 18h com Nara Vidal e Eliana Alves Cruz, duas escritoras que vêm ampliando sua presença na ficção brasileira.

Autora de romances como Sorte e Eva, Nara Vidal trabalha com personagens atravessados por conflitos familiares e sociais. Eliana Alves Cruz, autora de Água de barrela e O crime do Cais do Valongo, constrói narrativas que recuperam experiências históricas e familiares, com especial atenção às personagens negras.

Mediadas por Geni Núñez, as duas escritoras conversarão sobre a criação de personagens e as possibilidades da ficção de revelar experiências que nem sempre encontram espaço nos relatos oficiais.

Raul de Leoni e a literatura de Petrópolis

O poeta petropolitano Raul de Leoni, patrono do 3º Flipetrópolis, será lembrado no centenário de sua morte. Autor de Luz Mediterrânea, publicado em 1922, Leoni deixou uma obra que permanece como referência da poesia brasileira do início do século XX.

Na quinta-feira, às 16h, Gerson Vale e Marcelo Fernandes, da Academia Petropolitana de Letras, participam de “Amar é muito mais que crer: a vida e a obra de Raul de Leoni”, com mediação de Gustavo Grandinetti. O encontro revisita a trajetória do poeta, sua relação com Petrópolis e os temas que atravessam sua poesia.

Às 18h, outra conversa dedicada à história cultural da cidade reúne o jornalista e pesquisador Marcelo Bortoloti e o artista plástico Luiz Áquila, com mediação de Gustavo Grandinetti. Em “Guignard: uma criança de Petrópolis”, os convidados discutem a infância de Alberto da Veiga Guignard na cidade e as experiências que contribuíram para sua formação artística.

Leia Mulheres: escritoras e leitoras em Petrópolis

A presença das escritoras na vida cultural de Petrópolis também será tema de uma conversa na quinta-feira, às 17h.

Christiane Michelin e Roseni Kuranyi participam de “Leia Mulheres: literatura, cidade e formação de leitoras”, com mediação de Drica Madeira e Linda Feitoza. A mesa apresenta a experiência dos clubes de leitura dedicados às obras escritas por mulheres e discute a circulação dessas autoras no mercado editorial.

O encontro valoriza a participação das leitoras na formação de comunidades literárias e o trabalho desenvolvido em Petrópolis para aproximar o público da produção de escritoras brasileiras e estrangeiras.

A literatura também chega de Portugal e Moçambique

Além de Madalena Sá Fernandes, o festival receberá Énia Lipanga, poeta, rapper e ativista moçambicana, que participa no sábado, às 17h, de uma conversa com Zélia Duncan.

Intitulada “A palavra também canta”, a mesa terá mediação de Aydano André Motta e discutirá as relações entre poesia e música. Énia traz sua experiência com a palavra falada e cantada, enquanto Zélia participa como compositora, intérprete e escritora.

A presença das duas autoras amplia o diálogo do Flipetrópolis com a literatura de língua portuguesa produzida em diferentes países.

Geni Núñez, Estevão Ribeiro e Silvana Gontijo: livros para novos leitores

A literatura destinada às crianças também ocupa espaço na programação.

No sábado, às 11h, Silvana Gontijo, autora da coleção infantil Turma do Planeta (Autêntica), participa de “Nas águas da literatura — Rios, livros, democracia e cidadania”, com mediação de Míriam Leitão. Criadora do Planetapontocom e idealizadora do programa Esse Rio É Meu, Silvana conversará sobre a presença dos livros na formação das crianças e sobre a relação entre literatura e o cuidado com os rios das cidades.

Às 15h, Geni Núñez e Estevão Ribeiro participam de “Meu lugar no mundo: histórias para todas as infâncias”. Geni apresenta o universo de Takua e o segredo das constelações, escrito com Gennis Ara’i, enquanto Estevão aborda a criação de Guilhermina não gosta de não. A conversa terá mediação de Ricardo Ramos Filho.

São encontros voltados à formação de novos leitores, mas também aos adultos interessados em conhecer a produção contemporânea da literatura infantil.

Histórias contadas para crianças de todas as idades

Além dos encontros com escritores, o Flipetrópolis terá uma programação dedicada à contação de histórias, aproximando as crianças dos livros por meio da oralidade e de apresentações interativas.

Na quinta-feira, 12 de novembro, as atividades começam às 8h com Rose Assis, que apresenta a personagem Velhota Cambalhota. Às 9h, Sirlene Bastezini conduz “Entre palavras e encantamentos”. À tarde, Flávia Justen apresenta “Histórias aos Montes”, às 14h, e Letícia Mourão conta “Os Três Porcos-Espinhos e o Lobo-Guará”, às 15h.

Na sexta-feira, 13 de novembro, Alaíde Guedes abre a programação infantil às 8h, com “Abre a roda, lá vem história!”. Às 9h, Amandinha, a encantadora de histórias, apresenta uma adaptação de O Patinho Feio que não era um Patinho Feio, livro de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta. Às 14h, Marina Bastos apresenta histórias divertidas, e, às 15h, a escritora Cristina Ferreira conduz “Quem canta um conto, reecanta um ponto!”, a partir de seus livros Rá, rá, rá! Ró, ró, ró! A verdade é uma só?, Pombinha branca e Boi de toda a cor.

As atividades oferecem às famílias a oportunidade de conhecer diferentes formas de contar histórias e despertar nas crianças o interesse pela leitura.

Eliana Alves Cruz e sua família: histórias de diferentes gerações

No sábado, às 18h, Eliana Alves Cruz participa de um encontro que reúne integrantes de sua própria família para conversar sobre as experiências que atravessam gerações.

Em “A geografia dos afetos na família Cruz”, a escritora estará ao lado de Adriana Cruz, Paulo Vicente Cruz e Bárbara Cruz, com mediação de Flávia Oliveira.

Inspirada em um texto de Paulo Vicente Cruz publicado na revista piauí, a conversa parte de histórias familiares para investigar como as lembranças e as experiências individuais ajudam a compreender o passado e o presente. O encontro aproxima a literatura dos relatos pessoais e das diferentes maneiras de narrar a própria história.

Livros que ajudam a compreender o Brasil

Entre os autores que participam do festival estão ainda Jamil Chade e Michel Alcoforado, que se encontram no sábado, às 16h, para discutir seus livros Tomara que você seja deportado (Editora Nós) e Coisa de rico – A vida dos endinheirados brasileiros (Todavia). Com mediação de Eliana Alves Cruz, a conversa “Os donos do mundo e os que ficam de fora” aproxima a reportagem internacional da investigação antropológica sobre a desigualdade.

Às 19h, Ana Paula Araújo, autora de Agressão – A escalada da violência doméstica no Brasil (Globo Livros), conversa com a escritora e magistrada Andréa Pachá, cuja produção literária aborda conflitos familiares e relações humanas. A mediação será de Jamil Chade.

No domingo, às 10h30, Michel Alcoforado retorna para uma conversa sobre Coisa de rico, com mediação de Gustavo Grandinetti.

O festival também reserva espaço para a poesia. No sábado, às 14h, Gustavo Grandinetti, autor de O passarinho do contra – Uma biografia de Mario Quintana, e José Roberto de Castro Neves revisitam a obra do poeta gaúcho, no ano de seu 120º aniversário de nascimento, com mediação de Marcelo Fernandes.

Encontrar os autores, conhecer seus livros

A presença dos escritores é o principal convite do 3º Flipetrópolis. Ao longo de quatro dias, o público poderá ouvir autores que conhece pelas páginas de seus livros, descobrir novas obras e acompanhar conversas sobre como nascem romances, poemas, crônicas e histórias infantis.

Com livraria, lançamentos e sessões de autógrafos, o Palácio de Cristal se transforma em um espaço de encontro direto entre leitores e escritores. A entrada gratuita permite que esse contato aconteça sem a barreira do preço do ingresso.

O 3º Flipetrópolis acontece de 12 a 15 de novembro de 2026, no Palácio de Cristal, em Petrópolis (RJ). A programação completa está disponível em www.flipetropolis.com.br. Todas as mesas serão transmitidas pelo YouTube @flipetropolis.

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