
De 12 a 15 de novembro, no Palácio de Cristal, festival gratuito terá debates literários, lançamentos, música, premiação de estudantes e entrega do Troféu Juca Pato à ministra Cármen Lúcia. Com o tema “Meu Lugar no Mundo”, edição homenageia Raul de Leoni, Milton Santos, Guignard e Conceição Evaristo.
O 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis acontece de 12 a 15 de novembro de 2026, no Palácio de Cristal, reunindo escritores, jornalistas, artistas e intelectuais brasileiros e estrangeiros para quatro dias de encontros em torno da literatura. Com o tema “Meu Lugar no Mundo”, esta edição presta homenagem ao centenário de morte do poeta petropolitano Raul de Leoni, patrono do evento. A celebração também destaca os 100 anos de nascimento do geógrafo Milton Santos, os 130 anos do pintor Alberto da Veiga Guignard e o 80.º aniversário da escritora Conceição Evaristo.
Totalmente gratuito, o 3º Flipetrópolis tem o patrocínio Ouro da GE Aerospace e Águas do Imperador, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, patrocínio Prata da Zweiss, Itaú e Unifase e parceria da Prefeitura de Petrópolis e Academia Petropolitana de Letras. Todas as mesas de debate serão transmitidas ao vivo pelo YouTube @flipetropolis e contarão com audiodescrição e interpretação em Libras. As ações do Flipetrópolis estão alinhadas aos princípios ESG (ambientais, sociais e de governança) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Participam do 3º Flipetrópolis Adriana Cruz, Afonso Borges, Ale Santos, Ana Paula Araújo, Andréa Pachá, Antônio Torres, Aydano André Motta, Bárbara Cruz, Bruna Lombardi, Calila das Mercês, Cármen Lúcia, Conceição Evaristo, Cristina Aragão, Eliana Alves Cruz, Énia Lipanga (Moçambique), Estevão Ribeiro, Fabrício Carpinejar, Flávia Oliveira, Geni Núñez, Geraldo Carneiro, Gustavo Grandinetti, Jamil Chade, José Roberto de Castro Neves, Luiz Áquila, Madalena Sá Fernandes (Portugal), Marcelo Bortoloti, Marcelo Fernandes, Michel Alcoforado, Míriam Leitão, Nara Vidal, Paulo Vicente Cruz, Rafael Nolli, Ricardo Ramos Filho, Rosiska Darcy de Oliveira, Sérgio Abranches, Silvana Gontijo, Simone Paulino, Socorro Acioli, Sueli Carneiro e Zélia Duncan.
Curadoria: a diversidade como princípio, a pluralidade como compromisso
Os curadores desta edição são Sérgio Abranches, Calila das Mercês, Afonso Borges, Gustavo Grandinetti, Marcelo Fernandes e Rafael Nolli. A curadoria do 3º Flipetrópolis reafirma uma política permanente dos festivais literários realizados pelo Sempre um Papo: promover o equilíbrio de gênero, a diversidade racial e o respeito às diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. Nesta edição, mulheres ocupam posições centrais na programação, ao lado de importantes vozes negras e indígenas, de diferentes gerações e origens. A proposta não é reservar espaços isolados para a diversidade, mas incorporá-la a todos os campos do debate literário, reconhecendo a pluralidade como condição essencial para a democratização da cultura e a compreensão do Brasil contemporâneo.
A programação reúne diferentes gerações de autores e aproxima literatura, memória, artes visuais, ciência, tecnologia, educação e questões contemporâneas. Os encontros abordam desde a criação de personagens e os desafios da ficção até a formação de leitores, a violência contra as mulheres, a desigualdade social, as relações familiares e a presença da literatura na vida cotidiana. O festival também terá convidados internacionais, atrações musicais, uma exposição dedicada a Guignard, livraria, lançamentos e sessões de autógrafos.
Quatro homenagens e uma reflexão sobre pertencimento
A escolha de Raul de Leoni (1895–1926) como Patrono recupera a história de um dos nomes mais importantes da literatura petropolitana. Autor de Luz Mediterrânea, publicado em 1922, o poeta nasceu em Petrópolis e morreu em Itaipava, em 1926. Sua obra, marcada por reflexões sobre o amor, a existência e a condição humana, será revisitada em um encontro dedicado à sua trajetória.
A homenagem estabelece uma ligação com o tema “Meu Lugar no Mundo”, inspirado no pensamento de Milton Santos (1926–2001). Ao longo de sua obra, o geógrafo brasileiro investigou o território, a globalização e as relações entre o local e o universal, oferecendo instrumentos para compreender o lugar como espaço de vida, experiência e construção de identidade.
A trajetória de Alberto da Veiga Guignard (1896–1962) acrescenta outra dimensão a essa reflexão. Nascido em Nova Friburgo, o pintor viveu parte da infância em Petrópolis, onde teve contato com paisagens, montanhas, festas populares e experiências que permaneceram em sua memória. Nos jardins do Palácio de Cristal, a exposição dedicada ao artista apresenta aspectos dessa ligação com a cidade.
A Autora Homenageada, Conceição Evaristo, completa 80 anos como uma das principais referências da literatura brasileira contemporânea. Sua concepção de escrevivência, que articula experiência, memória e criação literária, amplia o debate sobre pertencimento, ancestralidade e os lugares ocupados pelas mulheres negras na sociedade brasileira.
Abertura: Raul de Leoni, Guignard, tecnologia e literatura
A programação começa na quinta-feira, 12 de novembro, às 16h, com “Amar é muito mais que crer: a vida e a obra de Raul de Leoni”, encontro dedicado ao centenário da morte do poeta petropolitano, com mediação de Marcelo Fernandes, da Academia Petropolitana de Letras. Os convidados serão anunciados posteriormente.
Às 17h, a mesa “Leia Mulheres: literatura, cidade e formação de leitoras”, com mediação de Marcelo Fernandes, discute os clubes de leitura, a presença das escritoras no mercado editorial e a construção de comunidades literárias. As convidadas serão anunciadas posteriormente.
Às 18h, o jornalista e pesquisador Marcelo Bortoloti e o artista plástico Luiz Áquila conversam sobre a infância do pintor em “Guignard: uma criança de Petrópolis”, com mediação de Gustavo Grandinetti. O encontro investiga como as experiências da infância e as paisagens petropolitanas podem ter influenciado a sensibilidade do artista.
Após as falas institucionais, às 19h, Sérgio Abranches e Ale Santos participam, às 19h15, de “O futuro já começou: tecnologia, imaginação e humanidade”, com mediação de Afonso Borges. O escritor e cientista político e o autor de ficção especulativa discutem inteligência artificial, transformações tecnológicas, mudanças climáticas e a capacidade da literatura de imaginar futuros possíveis.
Às 20h, Socorro Acioli apresenta Amar é inadiável (Planeta, 2026), coletânea de crônicas sobre amor, memória e literatura, em conversa mediada por Jamil Chade. Autora de A cabeça do santo e Oração para desaparecer, a escritora discute a transformação das experiências cotidianas em narrativas.
A primeira noite termina, às 21h, com Fabrício Carpinejar, na mesa “Poesia e Amor no Cotidiano”, mediada por Sérgio Abranches. O encontro aborda as relações familiares, os afetos e a presença da poesia nas experiências comuns da vida.
Sexta-feira: a criação literária, a Revista Brasileira e a memória das mulheres
Na sexta-feira, 13 de novembro, a programação começa às 18h com “As vidas que a literatura inventa”, reunindo as romancistas Nara Vidal e Eliana Alves Cruz, com mediação de Geni Núñez. As escritoras discutem personagens femininas, memória, família e os caminhos pelos quais a ficção transforma experiências individuais em histórias capazes de revelar uma sociedade.
Às 19h, a Academia Brasileira de Letras ganha destaque com “Revista Brasileira: a literatura e as grandes questões do nosso tempo”. Rosiska Darcy de Oliveira, Antônio Torres e Geraldo Carneiro conversam, sob mediação de Cristina Aragão, sobre a importância das revistas culturais, a circulação de ideias e a relação entre literatura e pensamento contemporâneo.
Às 20h, Míriam Leitão e Sérgio Abranches dividem a mesa “A Literatura e o Mundo entre Nós”, com mediação de Afonso Borges. Companheiros de vida e escritores com trajetórias próprias na ficção, os dois conversam sobre personagens, enredos, influências e processos criativos. Em A dança de Elisa (Intrínseca, 2026), Míriam constrói uma alegoria distópica sobre a perda de direitos e a resistência feminina. Em A franja do fim do mundo (Alta Books), Sérgio imagina um futuro atravessado por transformações tecnológicas, ambientais e sociais. O encontro aborda a convivência com a literatura e as diferentes maneiras de transformar a realidade em ficção.
Encerrando a noite, às 21h, Bruna Lombardi e a escritora portuguesa Madalena Sá Fernandes participam de “Mulheres, famílias e os fantasmas da memória”, com mediação de Jamil Chade. A conversa parte de Mulheres que sentem os espíritos (Record, 2026), de Bruna, e de Leme (Todavia) e Sótão, de Madalena, para discutir relações familiares, lembranças, violência, luto e os efeitos do passado na construção da identidade.
Sábado: educação, poesia, infância, desigualdade e escrevivências
O sábado, 14 de novembro, começa às 9h30 com a entrega do Prêmio de Redação e Desenho do Flipetrópolis, iniciativa voltada à participação de estudantes e à valorização da leitura e da expressão artística.
Às 11h, Simone Paulino e Silvana Gontijo participam de “Como mudar nosso lugar no mundo por meio da educação e da literatura?”, com mediação de Ricardo Ramos Filho. Fundadora da Editora Nós, Simone atua na circulação de novas autorias e na ampliação do acesso aos livros. Silvana, criadora do Planetapontocom, desenvolve projetos que aproximam educação, comunicação, literatura e consciência ambiental. A conversa aborda o papel da leitura na formação de pessoas e na transformação das comunidades.
Às 14h, o festival celebra os 120 anos de nascimento de Mário Quintana com “Mário Quintana, 120 anos: a poesia e o lugar do homem no mundo”. Gustavo Grandinetti, autor de O passarinho do contra – Uma biografia de Mario Quintana, e José Roberto de Castro Neves, membro da Academia Brasileira de Letras, conversam sobre o poeta, seu humor, seu lirismo e a permanência de sua obra, com mediação de Marcelo Fernandes.
Às 15h, Geni Núñez e Estevão Ribeiro discutem a criação literária para crianças em “Meu lugar no mundo: histórias para todas as infâncias”, com mediação de Ricardo Ramos Filho. A partir de Takua e o segredo das constelações e Guilhermina não gosta de não, os autores abordam imaginação, diversidade, representatividade e o direito de cada criança reconhecer sua própria experiência nos livros.
Às 16h, Jamil Chade e Michel Alcoforado participam de “Os donos do mundo e os que ficam de fora”, com mediação de Eliana Alves Cruz. A partir de Tomara que você seja deportado (Editora Nós, 2025), de Jamil, e Coisa de rico – A vida dos endinheirados brasileiros (Todavia, 2025), de Michel, os dois autores investigam diferentes manifestações do poder e da desigualdade. O encontro discute os privilégios das elites, as fronteiras sociais, os mecanismos de exclusão e as disputas pelo direito de pertencer, aproximando o olhar do correspondente internacional da pesquisa antropológica sobre a sociedade brasileira.
Às 17h, literatura e música se encontram em “A palavra também canta”, com Zélia Duncan e a poeta, rapper e ativista moçambicana Énia Lipanga. Com mediação de Aydano André Motta, a conversa aproxima Brasil e Moçambique para investigar as relações entre poesia, canção, linguagem e intervenção social.
Às 18h, “A geografia dos afetos na família Cruz” reúne Eliana Alves Cruz, Adriana Cruz, Paulo Vicente Cruz e Bárbara Cruz, com mediação de Flávia Oliveira. A partir de experiências de diferentes gerações, a família conversa sobre memória, ancestralidade, pertencimento e os vínculos que conectam histórias individuais e coletivas.
Às 19h, a jornalista Ana Paula Araújo e a escritora e magistrada Andréa Pachá participam de “Violência contra as mulheres: entre a realidade e a ficção”, com mediação de Jamil Chade. A partir do livro Agressão – A escalada da violência doméstica no Brasil (Globo Livros, 2025) e da produção literária de Andréa Pachá, o encontro discute violência doméstica, direitos, relações de poder e a capacidade do jornalismo e da literatura de revelar histórias frequentemente silenciadas.
Um dos momentos centrais do festival acontece às 20h, com “Conceição e Sueli: Vivências e Escrevivências”. Conceição Evaristo e Sueli Carneiro se encontram para uma conversa mediada por Calila das Mercês sobre literatura, pensamento, amizade, ancestralidade e as experiências que marcaram suas trajetórias. A mesa celebra os 80 anos de Conceição Evaristo e a contribuição das duas intelectuais para a cultura brasileira e para a luta pela igualdade racial.
Cármen Lúcia recebe o Troféu Juca Pato 2026
Às 21h de sábado, o Palácio de Cristal recebe a cerimônia de entrega do Troféu Juca Pato – Intelectual do Ano de 2026 à ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia.
Concedida pela União Brasileira de Escritores (UBE), a distinção reconhece sua contribuição intelectual e sua produção bibliográfica sobre Direito, democracia e cidadania, incluindo a obra Princípio Constitucional da Solidariedade.
A cerimônia terá apresentação de Ricardo Ramos Filho, presidente da UBE, saudação de Zélia Duncan e uma entrevista de Míriam Leitão com a homenageada. Sérgio Abranches fará a fala de encerramento.
Domingo: música brasileira e os códigos da riqueza
No domingo, 15 de novembro, a programação começa às 9h30 com a Orquestra de Câmara da Fiocruz, iniciativa do Fórum Itaboraí. O grupo apresenta um repertório dedicado à música brasileira, reunindo composições de diferentes regiões do país e valorizando o trabalho de formação artística de crianças e adolescentes desenvolvido pela instituição em Petrópolis.
Às 10h30, o antropólogo Michel Alcoforado participa de “Coisa de rico: quem tem dinheiro no Brasil?”, com mediação de Gustavo Grandinetti. Autor de Coisa de rico – A vida dos endinheirados brasileiros (Todavia, 2025), Michel investiga, com pesquisa de campo e humor, os hábitos, os códigos de distinção e os mecanismos de pertencimento das elites brasileiras. A conversa aborda riqueza, desigualdade, prestígio e as relações entre dinheiro e poder.
Livros, autógrafos e a cidade como espaço de encontro
Além das mesas de debate, o 3º Flipetrópolis terá livraria, lançamentos e sessões de autógrafos, aproximando leitores e escritores. A programação também valoriza iniciativas de formação de leitores, a produção cultural petropolitana e a participação da Academia Petropolitana de Letras, representada na curadoria por Gustavo Grandinetti e Marcelo Fernandes.
O eixo de Gastronomia e Cervejarias reunirá produtores locais, ampliando a ocupação do Palácio de Cristal e de seu entorno como espaço de convivência e circulação cultural.
Ao reunir literatura, pensamento, artes visuais, música e educação, o 3º Flipetrópolis propõe diferentes respostas à pergunta que orienta sua edição: qual é o nosso lugar no mundo? Da memória de Raul de Leoni à geografia de Milton Santos, das paisagens de Guignard às escrevivências de Conceição Evaristo, o festival parte de Petrópolis para pensar as experiências, os territórios e as histórias que nos constituem.
3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis
Data: 12 a 15 de novembro de 2026
Local: Palácio de Cristal, Petrópolis (RJ)
Tema: Meu Lugar no Mundo
Entrada: Gratuita
Transmissão: YouTube @flipetropolis
Site: www.flipetropolis.com.br