Exposição celebra os 130 anos de nascimento do artista e revela a importância de Petrópolis na formação de seu olhar

Mostra de reproduções com curadoria da museóloga Ângela Gutierrez será aberta no dia 15 de outubro, quinta-feira, às 19h, nos jardins do Palácio de Cristal, com entrada gratuita

Antes de se tornar um dos mais importantes nomes da arte brasileira, Alberto da Veiga Guignard, nascido em 1896, na vizinha Nova Friburgo, foi uma criança de Petrópolis.

Chegou à cidade com menos de três anos e aqui viveu até os oito. Foi em Petrópolis que frequentou sua primeira escola, conheceu as festas populares e os balões das noites de junho e conviveu com as montanhas, a Mata Atlântica e a neblina da Serra — elementos que marcariam profundamente sua memória e sua sensibilidade artística.

Aqui também viveu experiências familiares profundas, entre elas a perda do pai. Essas imagens e lembranças permaneceram em sua memória e ajudam a compreender a sensibilidade de uma obra em que paisagem, afeto e imaginação se encontram. Guignard em Petrópolis

É a partir dessa história que o 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis apresenta a exposição “Alberto da Veiga Guignard – Uma criança de Petrópolis”, em comemoração aos 130 anos de nascimento do artista. A mostra, com curadoria da museóloga Ângela Gutierrez, será aberta no dia 15 de outubro, quinta-feira, às 19h, nos jardins do Palácio de Cristal, com entrada gratuita.

Totalmente gratuito, o 3º Flipetrópolis tem o patrocínio Ouro da GE Aerospace e Águas do Imperador, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, patrocínio Prata da Zweiss, Itaú e Unifase e parceria da Prefeitura de Petrópolis e Academia Petropolitana de Letras. Todas as mesas de debate serão transmitidas ao vivo pelo YouTube @flipetropolis e contarão com audiodescrição e Libras. As ações do Flipetrópolis são acessíveis e estão alinhadas aos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).

Petrópolis na memória de Guignard

Nascido em Nova Friburgo, Guignard chegou ainda muito pequeno a Petrópolis. A família vivia em um casarão na antiga Avenida Sete de Setembro, atual Rua da Imperatriz, próximo ao Palácio Imperial. O menino frequentava o Colégio Franco-Brasileiro, localizado a poucos metros de casa. Era uma Petrópolis cercada de montanhas e Mata Atlântica, com rios, palmeiras, pinheiros, hortênsias e grandes residências.

Segundo o seu biógrafo, o jornalista Marcelo Bortoloti, autor de “O Anjo Mutilado”, foi também na cidade que Guignard teve contato com manifestações populares que permaneceriam em sua memória. Entre elas estavam os festejos juninos, com suas noites frias, fogos e balões de papel colorido. Os balões se tornariam, décadas depois, uma presença recorrente e imediatamente reconhecível em suas pinturas. Guignard em Petrópolis

Essa lembrança tinha ainda uma dimensão familiar. O pai, Alberto José Guignard, fazia aniversário no dia de São João e costumava comemorar a data soltando balões e fogos de artifício no quintal da casa em Petrópolis. Guignard tinha oito anos quando perdeu o pai, uma experiência que permaneceria profundamente ligada às suas recordações da infância. Guignard em Petrópolis

Paisagem, memória e imaginação

Montanhas, névoas, vegetação, construções que parecem flutuar e a delicada aproximação entre céu e terra se tornariam elementos marcantes da linguagem de Guignard. A geografia vertical de Petrópolis e a atmosfera da Serra ajudam a compreender algumas das primeiras referências visuais experimentadas pelo artista.

Guignard não precisava reproduzir literalmente um lugar. Sua pintura se construiu justamente no espaço entre memória, realidade e sonho, reorganizando paisagens, igrejas, casas, pessoas, montanhas, nuvens e balões por meio da imaginação. Guignard em Petrópolis

A exposição de reproduções pretende chamar a atenção para esse período ainda pouco conhecido de sua biografia e estimular novas pesquisas sobre a relação do artista com Petrópolis. Como demonstra a pesquisa de Marcelo Bortoloti que fundamenta a mostra, a cidade foi um núcleo formador da sensibilidade de Guignard, reunindo experiências de beleza, pertencimento, descoberta, afeto e perda que permaneceriam em sua memória. Guignard em Petrópolis

Com a exposição, o Flipetrópolis convida Petrópolis a reencontrar essa história e a reconhecer Guignard como parte de sua memória cultural. Aos 130 anos de seu nascimento, a mostra recupera uma imagem anterior à consagração do artista: antes de Guignard se tornar um dos grandes pintores brasileiros, ele foi uma criança de Petrópolis.

Serviço

Exposição “Alberto da Veiga Guignard – Uma criança de Petrópolis”
130 anos de nascimento
Curadoria: Ângela Gutierrez
Abertura: 15 de outubro de 2026, quinta-feira, às 19h
Local: Jardins do Palácio de Cristal – Petrópolis (RJ)
Entrada: gratuita
Realização: 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis