Por Letícia Finamore

“Poesia em Petrópolis e sobre Petrópolis – A experiência do Sarau Saracura”: esse foi o tema da mesa de bate-papo compartilhada por Álvaro Assis, Thiago Castanho, Angelica Paes e Marco Aureh. A conversa entre os quatro escritores – poetas – aconteceu às 16h de quinta-feira, 27 de novembro, no Auditório do Palácio de Cristal.

Poesia é uma fuga para Angélica – uma terapia, como a escritora conta. Carioca da cidade do Rio de Janeiro, afirma ser petropolitana de coração. Pelo município serrano, diz se encantar com os museus, bem como a atmosfera da cidade. Diagnosticada na infância com dislexia, a escritora persistiu em seu desejo de ser autora de livros, com grande destaque para a poesia, gênero literário pelo qual sempre demonstrou predileção. Hoje, a obra de Angélica é premiada no Brasil e no exterior. Durante sua fala, a autora recordou-se do apoio que recebeu de sua mãe ao longo dos anos, diferentemente das realidades que viveu no ambiente escolar. Suas vivências marcaram seu trabalho, “Dislexia e TDAH: do preconceito ao vencimento” é uma das tantas rimas que Angélica escreveu a respeito de sua condição.

Em seguida, foi a vez de Álvaro Assis falar sobre sua poesia. O mediador Marco Aureh questionou o advogado sobre como ele intercalava Direito e poesia – este, por sua vez, respondeu com seus versos escritos em “Morar sob o teto do poema”. Formado em Direito, Álvaro também estudou Letras. Aproveitou a ocasião para declamar o texto “O observador observado”, escrito por Leonardo Fróes – poeta que, assim como Angélica Paes, era “petropolitano de coração”. Falecido dias antes do início do 2.º Flipetrópolis, Fróes foi lembrado em mais declamações por Álvaro.

Chegada a vez de Thiago, o escritor falou de sua escrita enquanto pessoa que detém contato direto e frequente com a natureza da Mata Atlântica. Segundo ele, por causa do afastamento da natureza causado pela rotina urbana, é difícil que as pessoas compreendam que o meio ambiente também é decomposição e, logo, morte. A escrita que compreende tal concepção é a feita pelos autores do extremo oriente, como os compositores de haicais, poemas de origem japonesa, curtos e concisos, que tradicionalmente possuem a estrutura de três versos com 17 sílabas poéticas, divididas na proporção 5-7-5.

A fim de exemplificar sua fala, Thiago muniu-se da literatura produzida durante o período do romantismo alemão para contar que, diferentemente dos escritores orientais, movimentos literários europeus não foram capazes de produzir textos precisos para falar da natureza como os orientais fizeram em suas produções. No entanto, complementou que “toda a poesia que trata a fundo do mundo natural corre o risco de parecer panfletagem turística”. 

Depois de uma fala individual de cada escritor, o bate-papo, propriamente dito, teve início. Os três escritores, guiados por Marco Aureh, falaram sobre suas experiências com o Sarau Saracura. Quando Thiago se mudou para a cidade de Petrópolis, precisou ter contato com outras pessoas. A partir do boca a boca, compartilhando suas queixas poéticas, ficou sabendo de dois nomes: um era de Carol Passos, e outro o de seu colega de palco Álvaro. Com isso, o trio criou um sarau informal, no qual cada pessoa chegava com um pouco de poesia para dividir. Apesar de ser o criador do sarau, Thiago conta que não gosta de declamar, tampouco ouvir declamações de poemas: a paixão do escritor é lê-los. 

Álvaro tomou a palavra para afirmar que textos são escritos pensando que outras pessoas podem lê-los. Confessou que sempre teve dificuldades em sarau porque nunca soube o que dizer. Tal fato é curioso, uma vez que dois dos três criadores do Sarau Saracura não detém uma relação muito “confortável” com a declamação de poemas. O advogado aproveitou a deixa e fez um comentário a respeito da consolidação que a internet fez com os versos escritos na atualidade, mencionando que essa é uma “vilã interessante”. Sua observação partiu do seguinte princípio: se uma pessoa escrever dez linhas nas redes sociais, ela consegue dez curtidas em sua publicação; já se escrever duas linhas, recebe 30. Assim, os poemas foram ficando mais curtos. Diante disso, como conta Álvaro, os livros de poesia ficam quase totalmente em branco, reduzidos a poucas linhas. Apesar dessa crítica, ela não se aplica aos textos aos quais Thiago se dedica, uma vez que os haicais são textos originalmente curtos e fiéis à forma e ao número de sílabas. 

Antes de encerrar a conversa, a fala voltou para Angélica. Nesse momento, a poetisa fez um pedido, solicitando ao público petropolitano que consumam o trabalho feito por seus conterrâneos. A fala derradeira enalteceu a realização do Flipetrópolis, afirmando que a arte é necessária e que, por isso, deseja longevidade ao Festival. 

 

Sobre o 2.º Flipetrópolis

A 2.ª edição do Flipetrópolis acontece de 27 a 30 de novembro, quinta-feira a domingo, no Palácio de Cristal, e tem como tema “Literatura, Encruzilhada e Arte”. O evento apresenta mesas de bate-papo com escritores, lançamentos de livros, prêmio de redação e desenho, oficinas e atividades educativas para as crianças. O Autor Homenageado é o Antônio Torres, romancista consagrado e membro da Academia Petropolitana de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Outro destaque desta edição é a entrega oficial do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano à vencedora de 2025, a escritora Sueli Carneiro.

Realizado graças à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, o 2.º Flipetrópolis tem o Patrocínio Máster da GE Aerospace e o apoio da Zeiss, da Caixa, da Academia Petropolitana de Letras, do Ipeafro e da Prefeitura de Petrópolis. Parceria de Mídia: Amado Mundo. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, com Libras, audiodescrição e transmissão on-line via Youtube @‌flipetropolis.

Serviço

2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis
De 27 a 30 de novembro de 2025, quinta-feira a domingo
Local: programação presencial no Palácio de Cristal e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @‌flipetropolis
Entrada gratuita

Informações para a imprensa:

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Jozane Faleiro  – 31 992046367
Laura Rossetti – 31 99277-3238
Letícia Finamore – 31 98252-2002