
Por Gabriel Pinheiro
O curador Sérgio Abranches conversou com o grande homenageado desta edição no encerramento da Programação Nacional do 2.º Flipetrópolis
Encerrando a Programação Nacional do 2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis –, o Auditório do Palácio de Cristal recebeu o autor homenageado desta edição: o grande Antônio Torres. A mesa “O sertão e o mundo” contou com a mediação do curador Sérgio Abranches.
“Antônio Torres merece a homenagem que estamos fazendo. É um autor extraordinário, um intérprete do Brasil”, abriu a noite Sérgio Abranches, que recomendou toda a obra publicada por Antônio Torres para o público presente. “Ele tem uma visão polifônica do mundo”, ele destacou, reforçando que a obra de Torres fala sobre o mundo, não se restringindo ao cenário do sertão – ligando-o à obra de Guimarães Rosa.
Antônio Torres iniciou sua fala celebrando o fato de integrar a Academia Petropolitana de Letras: “Cadeira número 1!”, ele registrou. “Um grande obrigado a Petrópolis, com a qual convivi por 17 anos e alguns meses. Cheguei aqui discretamente. (…) E a alma se perdeu entre as montanhas”, ele comentou poeticamente. O escritor falou sobre o livro “Querida cidade”, segundo ele, seu romance mais ambicioso. “Até me perguntar: tanto trabalho, quem vai se importar com isso? Certamente ninguém. Mas eu me importo”, ele destacou.
“Como é começar uma carreira literária na resistência?”, Sérgio perguntou para Torres, falando do período político em que o autor se lança. Segundo Torres, nos anos 1970, ele estava escolado em ditadura militar, em censura, em falta de liberdade. “Vivi em Portugal sob uma ditadura mais antiga que a nossa”, ele falou sobre a ditadura de Salazar. Essas experiências em ditaduras influenciaram a escrita do romance “Os homens dos pés redondos”, recentemente reeditado. Antônio Torres relembrou o sucesso do lançamento de livro na década de 1970. “Foi lido como uma peça de resistência da ditadura. Foi entendido como uma coisa que tinha a ver com aquele clima que havia ali”, ele refletiu.
“Venho de um mundo agrário. Venho de um mundo sem livro. No entanto, fabulava-se muito. (…) Ao fim da tarde, a família se reunia para ver o pôr do sol. Ou melhor, pra ver o sol se pondo no Brasil para nascer no Japão. (…) Todos se reuniam no pé do fogão para contar histórias. Para espantar o medo da noite”, Antônio Torres relembrou, pela poesia da memória, o seu crescimento no sertão. Bem humorado, o homenageado contou uma história do cantor Tom Zé. Na sequência, Torres disse ter sido, na infância, destinado ao cabo de uma enxada. Mas, aí, descobriu a poesia e tudo mudou.
Torres falou sobre a importância da obra de Guimarães Rosa em sua formação leitora. Segundo ele, “Corpo de baile” foi seu primeiro contato com a literatura de Rosa. “Acho que Guimarães Rosa percebeu as motosserras que iam derrubar a língua. Essa língua dos nossos ancestrais. Fico com a impressão de que ele escreveu para deixar essa língua. Que ela sobrevivesse na literatura dele.”
“Acho que você e Rosa são dois exemplos de como você pode tirar do sertão, da vida agrária brasileira, uma história universal”, reforçou Sérgio Abranches. “Não há, nesse momento, ninguém mais merecedor de uma homenagem em um festival literário do que Antônio Torres. (…) Os textos dele são diamantes, são jóias muito bem lapidadas”, concluiu o curador.
Grande contador de histórias, Antônio Torres terminou a noite compartilhando memórias com o público, arrancando risadas e aplausos. Viva Antônio Torres!
Sobre o 2.º Flipetrópolis
A 2.ª edição do Flipetrópolis acontece de 27 a 30 de novembro, quinta-feira a domingo, no Palácio de Cristal, e tem como tema “Literatura, Encruzilhada e Arte”. O evento apresenta mesas de bate-papo com escritores, lançamentos de livros, prêmio de redação e desenho, oficinas, e atividades educativas para as crianças. O Autor Homenageado é o Antônio Torres, romancista consagrado e membro da Academia Petropolitana de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Outro destaque desta edição é a entrega oficial do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano à vencedora de 2025, a escritora Sueli Carneiro.
Realizado graças à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, o 2.º Flipetrópolis tem o Patrocínio Máster da GE Aerospace e o apoio da Zeiss, da Caixa, da Academia Petropolitana de Letras, do Ipeafro e da Prefeitura de Petrópolis. Parceria de Mídia: Amado Mundo. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, com Libras, audiodescrição e transmissão on-line via Youtube @flipetropolis.
Serviço
2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis
De 27 a 30 de novembro de 2025, quinta-feira a domingo
Local: programação presencial no Palácio de Cristal e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @flipetropolis
Entrada gratuita
Informações para a imprensa:
imprensa@flipetropolis.com.br
Jozane Faleiro – 31 992046367
Laura Rossetti – 31 99277-3238
Letícia Finamore – 31 98252-2002