Por Gabriel Pinheiro

Mesa que reuniu Leonardo Boff, Maria Helena Arrochelas, Xikito Affonso Ferreira e Leandro Garcia emocionou o público ao resgatar a vida e a obra do homenageado

A programação nacional do 2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis – teve início logo após a cerimônia de abertura oficial do evento, numa mesa que celebrou a vida e a obra do Patrono desta edição, Alceu Amoroso Lima. A mesa contou com a presença do escritor e amigo de Alceu, Leonardo Boff, Maria Helena Arrochelas, diretora do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade e Xikito Affonso Ferreira, neto e biógrafo do homenageado. A mediação foi do professor Leandro Garcia.

“O Afonso Borges [Presidente do Flipetrópolis] queria, como Patrono do Flipetrópolis, uma figura que tivesse um renome nacional, se possível, internacional e uma ligação direta com Petrópolis. Alceu Amoroso Lima foi foi o principal crítico literário que tivemos durante o modernismo. (…) Ele teve uma relação profunda com Petrópolis. Convergimos, assim, na figura dele como Patrono dessa edição”, destacou Leandro Garcia ao abrir a mesa. Na sequência, o mediador se aprofundou na trajetória enquanto crítico literário do homenageado, destacando pontos importantes de sua biografia.

 

“Estava acontecendo uma semana futurista em São Paulo”, declarou Alceu Amoroso Lima sobre a Semana de Arte Moderna de 1922, evento que, segundo Leandro, foi ignorado pela maior parte da imprensa do Rio de Janeiro naquele momento. “Ele fez uma espécie de cartografia modernista da época”, acrescentou o mediador, comentando o quanto o olhar de Alceu se abriu para as mais diversas regiões do Brasil, não se restringindo aos grandes centros no seu trabalho na crítica literária. “Ele estava antenado, tentando saber, tentando entender tudo o que estava acontecendo no Brasil em termos literários.”

Leandro prosseguiu: “A última grande contribuição pública de Alceu ao Brasil foi revelar a Carolina Maria de Jesus. (…) A crítica universitária brasileira chamou ‘Quarto de despejo’, de Carolina, de ‘lixo literário’. Doutor Alceu o defendeu com unhas e dentes e disse: ‘Algo novo está surgindo na literatura brasileira’”, concluiu o mediador, que também destacou a visão de Alceu Amoroso Lima na defesa dos direitos humanos e da literatura como um direito humano.

Na sequência, Xikito Affonso Ferreira destacou a sua visão doméstica acerca da vida de Alceu Amoroso Lima, por se tratar de seu avô. Ele, então, se debruçou sobre momentos e histórias da vida do homenageado, num relato afetivo da figura do avô. “Todo dia ele escrevia muito, rigorosamente, até a sua morte em 1983”, ele comentou, destacando a longa correspondência de Alceu, com nomes importantes da cena pública e literária brasileira, como Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes.

“Alceu foi tudo o de melhor que uma pessoa tinha. Foi um excelente jornalista, crítico literário, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. O que eu penso que é mais relevante na figura do Alceu foi sua luta pelos direitos humanos e na defesa da democracia”, destacou Maria Helena Arrochelas, que se debruçou sobre o legado do homenageado. “Ele dizia que começou a vida como bombeiro, e terminou como incendiário.” Maria Helena concluiu sua participação celebrando a defesa do Estado Democrático de Direito.

Leonardo Boff abriu sua fala celebrando o projeto Sempre um Papo, criado por Afonso Borges, que completa 40 anos em 2026. Na sequência, ele declarou sobre Alceu Amoroso, seu amigo: “Tenho a convicção de que ele é um dos intelectuais mais profundos, mais universalistas que o Brasil produziu. Ele frequentou todos os saberes. (…) Ele inventou a palavra”. O convidado prosseguiu: “Ele era um verdadeiro profeta. No tempo da repressão, era a única voz que nós tínhamos”. O escritor fez um relato sensível e emocionante dessa amizade, sobre o catolicismo de Alceu e sua defesa dos direitos humanos, arrancando lágrimas e sorrisos da plateia presente.

Sobre o 2.º Flipetrópolis


A 2ª edição do Flipetrópolis acontece de 27 a 30 de novembro, quinta-feira a domingo, no Palácio de Cristal, e tem como tema “Literatura, Encruzilhada e Arte”. O evento apresenta mesas de bate-papo com escritores, lançamentos de livros, prêmio de redação e desenho, oficinas e atividades educativas para as crianças. O Autor Homenageado é o Antônio Torres, romancista consagrado e membro da Academia Petropolitana de Letras e da Academia Brasileira de Letras. Outro destaque desta edição é a entrega oficial do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano à vencedora de 2025, a escritora Sueli Carneiro.

Realizado graças à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, o 2.º Flipetrópolis tem o Patrocínio Máster da GE Aerospace e o apoio da Zeiss, da Caixa, da Academia Petropolitana de Letras, do Ipeafro e da Prefeitura de Petrópolis. Parceria de Mídia: Amado Mundo. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, com Libras, audiodescrição e transmissão on-line via Youtube @flipetropolis.

Serviço


2.º Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis
De 27 a 30 de novembro de 2025, quinta-feira a domingo
Local: programação presencial no Palácio de Cristal e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @‌flipetropolis
Entrada gratuita

Informações para a imprensa:

imprensa@flipetropolis.com.br
Jozane Faleiro  – 31 992046367
Laura Rossetti – 31 99277-3238
Letícia Finamore – 31 98252-2002